Algumas vezes me foi concedido banhar-me no mar.
Encontrei recifes de corais que me cortaram os pés.
Encontrei mar calmo e ressacas turbulentas.
Mas do mar sempre obtive o que de mais belo há pra ser mostrado.
Quando estive em mares remotos, em uma canoa sem remos, a correnteza sempre me levou à terra firme, para que pudesse voltar a contemplar o mar com reverência, aguardando o momento de voltar às suas águas.
E como quem é do mar não enjoa, durmo em mar aberto, sem preocupação.
Quando um belo dia, acordo e não mais existe Mar, ele secou. Nem a areia da praia me é concedido pisar mais.
A brisa não toca mais meu rosto me trazendo o cheirinho de mar.
E em pleno deserto árido de minh'alma, espero, paciente, pela benevolência de Iemanjá.
Apresento a vós, um pouco das falácias de minh'alma. As sutilezas dos devaneios apresentados, deverão ser percebidos como um despropósito de um ser que não mais se pertence.
quinta-feira, 25 de março de 2010
Prisão!!
O que me prende?
Se não tenho amarras nos pés, nem grilhões nos punhos?
O que me prende?
Falsas promessas, falsas perspectivas, falsa estabilidade?
E me questiono mais uma vez: o que me prende?
Criamos para nós mesmos muros de Berlim, muros de contenção, para garantir o que?
Que não sejamos livres do trabalho, da família, dos amigos?
Mas o trabalho não serve para garantir a farsa?
A família não possuiria laços indeléveis?
E os amigos, para garantir esta alcunha, não deveriam ser maiores que a distância? Não deveriam transpor o tempo?
Mais uma vez: o que me prende, então?
O medo do desconhecido?
Mas tudo que vivemos não era desconhecido para nossa própria experiência?
O que nos prende?
Os bens que adquirimos exatamente para garantir o exercício da liberdade não fazem hoje o papel de uma prisão?
A frase: "Eu não posso!", não seria uma corrente para a mente?
E se não mais a pronunciar, não teria mais efeito?
A inexistência de borracha para apagar o lápis o torna definitivo como a tinta?
Se não tenho amarras nos pés, nem grilhões nos punhos?
O que me prende?
Falsas promessas, falsas perspectivas, falsa estabilidade?
E me questiono mais uma vez: o que me prende?
Criamos para nós mesmos muros de Berlim, muros de contenção, para garantir o que?
Que não sejamos livres do trabalho, da família, dos amigos?
Mas o trabalho não serve para garantir a farsa?
A família não possuiria laços indeléveis?
E os amigos, para garantir esta alcunha, não deveriam ser maiores que a distância? Não deveriam transpor o tempo?
Mais uma vez: o que me prende, então?
O medo do desconhecido?
Mas tudo que vivemos não era desconhecido para nossa própria experiência?
O que nos prende?
Os bens que adquirimos exatamente para garantir o exercício da liberdade não fazem hoje o papel de uma prisão?
A frase: "Eu não posso!", não seria uma corrente para a mente?
E se não mais a pronunciar, não teria mais efeito?
A inexistência de borracha para apagar o lápis o torna definitivo como a tinta?
sexta-feira, 5 de março de 2010
A Malversada Felicidade
Falácias e Sutilezas à parte,
chego quase a acreditar
na malversada felicidade.
Após análise pormenorizada,
concluo com profícua incerteza
que o assunto é insubstanciável.
chego quase a acreditar
na malversada felicidade.
Após análise pormenorizada,
concluo com profícua incerteza
que o assunto é insubstanciável.
terça-feira, 2 de março de 2010
Política
O país nesse caos,
meu povo mergulhado na merda,
não tem forças nem pra respirar.
Só se permite sobreviver
com as migalhas que não são
guardadas nem para os porcos,
achando que tem demais.
E a ilusão da felicidade
que é vendida pela novela das oito,
não dura nem até o comercial.
Enquanto os reclames do plin-plin
nos empurram goela abaixo enlatados vencidos
como segurança, saúde, educação.
Na verdadeira capital do crime,
estão vendendo nosso futuro.
meu povo mergulhado na merda,
não tem forças nem pra respirar.
Só se permite sobreviver
com as migalhas que não são
guardadas nem para os porcos,
achando que tem demais.
E a ilusão da felicidade
que é vendida pela novela das oito,
não dura nem até o comercial.
Enquanto os reclames do plin-plin
nos empurram goela abaixo enlatados vencidos
como segurança, saúde, educação.
Na verdadeira capital do crime,
estão vendendo nosso futuro.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Campo de Batalha!
Não desista! Você tem que ter paciência!
Querem que eu lute, que eu permaneça em pé
Sou um guerreiro,
e como tal não cairei enquanto não me liquidarem.
e como tal não cairei enquanto não me liquidarem.
Ninguém me viu rastejar,
ninguém me viu abaixar a cabeça.
ninguém me viu abaixar a cabeça.
Mas preciso de armas pra lutar,
preciso de estratégia, preciso de perspectivas.
Me ceifaram tudo e me pedem pra ser forte.
Me cortam os pés e pedem pra que não pare.
Me rasgam a face e pedem para manter a cabeça erguida.
Me cegam os olhos e pedem para que siga em frente.
Enquanto havia guerra, eu não me ausentei.
Enquanto uma direção me era apontada,
segui, na frente da tropa, sem olhar pra trás.
Mas agora não há mais direções, todos foram embora
Estou só e continuo no campo de batalha,
Ao meu lado só os corpos mutilados e o cheiro de sangue,
Estou ferido, sem armas, cego e sem general.
Combalido
Minhas convicções políticas são inquebráveis, minha crença na humanidade é persistente, minha esperança social sem precedentes.
Certa vez alguém me disse que era o único que ela via lutar realmente pelos outros, e não por interesses pessoais escondidos. Que acreditava que meus sonhos podiam se tornar reais.
Mas agora eles atacaram meu corpo. Estes problemas que afligem minha carcaça, deixam-na combalida, frágil, enquanto meu espírito tende a permanecer forte, guerreiro.
Mas como lutar contra algo invisível, que não aparece, que não há palavra amiga que a tombe?
Minhas forças contra este inimigo se esvaem, a visão já encontra-se turva. Já não mais enxergo as coisas com clareza.
Tento pensar em coisas boas, fico me repetindo palavras, pensamentos, como se isso me fizesse acreditar. Meus olhos não vêem o que minh'alma sente.
Isso tudo começa a afetar minha fé. Não minha fé política, social, espiritual, mas a principal fé: em mim mesmo.
Quando me observo, sei que algo dentro de mim quebrou, e que não há processos que possam restaurar.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Carta à ti!
Olá,
Sinto mas não posso mais ficar sentado sem nada fazer.
Não consigo mais te ver queimar por dentro.
Enquanto choras um pranto de sangue.
É preciso que tenhas força.
É preciso que tenhas força.
para os momentos de incertezas e provações
que as cinzas preparam para ti.
Gostaria de ter lhe ajudado a ser mais sábio,
a ter aproveitado todas as chances que lhe dei.
Me doía ver jogá-las todas fora.
Não sei se percebes que estou contigo, sempre.
Estive ajoelhado ao seu lado e não vistes,
Olhavas como se através mim estivesses vendo.
Aqui, observando o crepúsculo de tua alma,
sentado na colina de teu medo,
choro, sorumbático e em silêncio.
Saudações.
Seu Anjo!
Diálogo!!
- Oi!
- Oi!
- Já descobriu o que querias?
- Ainda não.
- Já sabes ao menos o que quer agora?
- Paz! É uma constante. Paz pra conseguir descobrir o que preciso.
- Só?
- Não. Preciso descobrir quem me tornei ao longo da jornada, para conseguir pensar com clareza naquilo que preciso.
- Oi!
- Já descobriu o que querias?
- Ainda não.
- Já sabes ao menos o que quer agora?
- Paz! É uma constante. Paz pra conseguir descobrir o que preciso.
- Só?
- Não. Preciso descobrir quem me tornei ao longo da jornada, para conseguir pensar com clareza naquilo que preciso.
Escalafobético
Enquanto as querelas estiverem sutis,
Após algumas sequelas e malversações....
Permanecerei com esta cicatriz...
E assim que esta configuração se deformar,
E as incertezas e deglutinações não mais forem vistas.
Irei me plantear e a espreita devo estar.
Diálogo com o Outro
- És tu?
- Sim!
- Por que vieste?
- Recebi teu chamado.
- Não lhe chamei!
- Eu vim pra organizar a bagunça que fizestes.
- E quem disse que preciso que organizes algo?
- Está visível.
- Sei não.
- Então tá. Se quiser vou embora.
- Não!
- Viste? Era isso que querias no fundo. Que eu viesse pra arrumar teus devaneios.
- ...
- E agora que cá estou, vou jogar fora toda a velharia, que só serve pra acumular poeira.
- Não! São coisas do passado. Posso precisar delas.
- Não, o passado só está lhe fazendo mal.
- Mas preciso entender o que ocorreu.
- Não precisa entender nada. Esqueça. Irá tudo pro lixo.
- Não podes fazer isso.
- Posso sim. Mas tudo bem. Façamos um trato: jogo fora só o que não irá mais usar e que nunca teve real serventia certo?
- Hum!!!
- Está feito então!
- Sim!
- Por que vieste?
- Recebi teu chamado.
- Não lhe chamei!
- Eu vim pra organizar a bagunça que fizestes.
- E quem disse que preciso que organizes algo?
- Está visível.
- Sei não.
- Então tá. Se quiser vou embora.
- Não!
- Viste? Era isso que querias no fundo. Que eu viesse pra arrumar teus devaneios.
- ...
- E agora que cá estou, vou jogar fora toda a velharia, que só serve pra acumular poeira.
- Não! São coisas do passado. Posso precisar delas.
- Não, o passado só está lhe fazendo mal.
- Mas preciso entender o que ocorreu.
- Não precisa entender nada. Esqueça. Irá tudo pro lixo.
- Não podes fazer isso.
- Posso sim. Mas tudo bem. Façamos um trato: jogo fora só o que não irá mais usar e que nunca teve real serventia certo?
- Hum!!!
- Está feito então!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Diálogos do além II
- Olá!
- Oi! Você novamente?
- É. Não sei pra onde vou.
- E sabes de onde veio?
- Não!
- Então do que importa?
- Não importa mais!
- Oi! Você novamente?
- É. Não sei pra onde vou.
- E sabes de onde veio?
- Não!
- Então do que importa?
- Não importa mais!
Carta a um amigo
Algo ocorreu de inesperado: hoje eu sonhei contigo. O inesperado não se deu pelo fato de sonhar contigo, não, era de se esperar, já que ocupas um lugar tão especial em minha vida.
O inesperado se deu pelo fato de os sonhos terem me agraciado com sua presença, já que só os sinto em raras vezes em minha vida. Sempre me achei incompleto por não sonhar.
O inesperado se deu pelo fato de os sonhos terem me agraciado com sua presença, já que só os sinto em raras vezes em minha vida. Sempre me achei incompleto por não sonhar.
Bom, em um fim de semana você estava entediado, então resolveu ir a um clube ter com um instrutor de um esporte náutico. Quando lá cheguei, no alto do seu tédio, você encontrava-se no ponto mais alto do mastro de uma embarcação. Ao perceber minha presença você resolveu me mostrar o ponto que chegou por causa do tédio: começastes a te balançar, e balançavas com grande destreza na tentativa de destronar teu rival. Então, inesperadamente, te lançaste ao mar aberto no intuito de me passar um pouco do sentimento que ate então lhe consumia.
Te escrevo como o faço quando em minhas poesias: em uma linguagem diferente, no meu bloco de anotações inseparável, de madrugada ao despertar num rompante de emoções e com a tez em lágrimas.
Mas companheiro não te preocupes. Acordei com a boa sensação de tua presença e a certeza de que aquilo que tens a viver ainda nem tu sonhas.
Diálogos do além
- Oi!
- Olá!
- Eu morri!
- E como você sabe que morreu?
- Porque vi todos chorando sobre o meu caixão.
- E como podes ter a certeza que eras tu?
- Porque vi todos que me eram caros lamentando a brevidade de minha existência.
- E estás triste?
- Sim!
- Por que?
- Por ter deixado todos tristes.
- Só por isso?
- Só.
- E o que sentes?
- Paz!
- Que bom, agora seu último limite se foi.
- Olá!
- Eu morri!
- E como você sabe que morreu?
- Porque vi todos chorando sobre o meu caixão.
- E como podes ter a certeza que eras tu?
- Porque vi todos que me eram caros lamentando a brevidade de minha existência.
- E estás triste?
- Sim!
- Por que?
- Por ter deixado todos tristes.
- Só por isso?
- Só.
- E o que sentes?
- Paz!
- Que bom, agora seu último limite se foi.
Sequelas!
Ao perceber que algo estava errado,
me abriram.
Ao vislumbrarem por dentro,
viram que não tinha conserto.
Para que ninguém percebesse,
fecharam com rapidez.
Agora só me restam as cicatrizes da investida,
e os mesmos defeitos de outrora.
(25.jan.10)
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Experiências
Algumas experiências
te levam tão pra baixo,
que ao atingir o fundo
vê-se o quão alto se estava.
(07.jan.10)
Desnorteado
Um sentimento me consome
Me deixando desnorteado
Como uma criança abandonada pelos pais.
Não sei como agir, falar, pensar.
O pensamento demonstra ser o objetivo em si mesmo.
Não existem mais objetivos.
Ando a esmo,
Na espera de ser atropelado pela vida.
Minha existência tornou-se uma falácia,
Uma piada de mal gosto.
(07.jan.10)
O que é a Felicidade?
O sonho da felicidade nos é vendido a todos
Alguns a imaginam como um objeto,
Para outros é um objetivo
Há ainda os que a apontam como um caminho.
Mas para todos, a felicidade é mais do que um sonho
É uma obrigação!
Não a alcançar, nos torna a todos incompetentes?
(07.jan.10)
Solidão!
E hoje, com a solidão ao meu lado
Consigo observar as coisas com muito mais dedicação.
Aquilo na verdade não era nada,
No máximo um fragmento vil
De algo fadado a nunca atingir sua plenitude.
O que acreditei ser o tudo,
Não passou de mero desespero de minha alma
Em querer abandonar o purgatório de meu próprio ser.
(06.jan.10)
A Saudade!
A saudade me entorpece,
A saudade de sentir saudade,
Saudade de algo que já não sei
Se quero novamente voltar a ter.
Saudade de voltar a ter saudade
Daquilo que fui, que tive.
(06.jan.10)
Falácias e Sutilezas
E a neblina da paixão me deixou completamente cego,
Aquilo que acreditei estar enxergando com tanta vivacidade,
Na verdade não passava de uma falácia,
Apresentada a mim no auge de minha pseudo-maturidade,
A ausência ainda me causa dor
E o processo de clarividência sobre essa ausência
Na verdade demonstra-se na sutileza de minha alma
Concluo que é uma ausência de mim mesmo.
Ausência daquilo que fui,
que sou
que poderei me tornar.
(02.jan.10) 2h
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Dor!!!
Às vezes busco a dor,
Como se precisasse dela
Pra provar que tudo
Não passam de falácias.
São sutilezas que me permito
No auge de minha insensatez
Para que o sofrimento autentique
A permanência de minha existência.
(02.jan.10 - 2h)
Como se precisasse dela
Pra provar que tudo
Não passam de falácias.
São sutilezas que me permito
No auge de minha insensatez
Para que o sofrimento autentique
A permanência de minha existência.
(02.jan.10 - 2h)
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Confissões
Achei que já o tinha vivido na vida,
passei um tempo o procurando com afinco,
um tempo esperando de forma determinada
cheguei a negá-lo com veemência
Acreditei já ter esgotado minha quota,
que já não tinha mais autorização para vivê-lo,
pois já o tinha vivido bastante,
e como não o havia respeitado
não me cabia mais parte dele.
passei um tempo o procurando com afinco,
um tempo esperando de forma determinada
cheguei a negá-lo com veemência
Acreditei já ter esgotado minha quota,
que já não tinha mais autorização para vivê-lo,
pois já o tinha vivido bastante,
e como não o havia respeitado
não me cabia mais parte dele.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Ascensão!!
Ascendi com avidez. A descida demonstrou-se um suplício.
Os momentos de torpor só me atingem por ínfimos momentos
comparados com a eternidade dos instantes de angústia.
Esta, me acompanha na decida.
Ao recobrar a consciência
percebo que EU não mais existo.
Só o que restam são traços do outro.
Ele nunca me deixou.
Estava latente, se esgueirando,
esperando o momento certo para deixar de ser o Outro
e assumir o controle total de mim.
Relutante, acato seus desígnios.
(29.nov.09)
Os momentos de torpor só me atingem por ínfimos momentos
comparados com a eternidade dos instantes de angústia.
Esta, me acompanha na decida.
Ao recobrar a consciência
percebo que EU não mais existo.
Só o que restam são traços do outro.
Ele nunca me deixou.
Estava latente, se esgueirando,
esperando o momento certo para deixar de ser o Outro
e assumir o controle total de mim.
Relutante, acato seus desígnios.
(29.nov.09)
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
APÊNDICES
Há pessoas que são apêndices...
dependem das decisões que os outros tomam
colocam sua vida sob a responsabilidade dos outros
vivem sem ter vontade própria.
E há pessoas que só conseguem ter apêndices
não se permitem viver uma história
só permitem apêndices em sua vida
vivem sob a desculpa que só colhem o que tem de bom nos outros
vivem uma fantasia.
Não somos só bons, tampouco só ruins
ai é onde paira a grande eloquência da vida
tudo faz parte de uma coisa só
essas pessoas vivem uma farsa que chamam de vida.
Juan de Ravague (18 nov 09)
dependem das decisões que os outros tomam
colocam sua vida sob a responsabilidade dos outros
vivem sem ter vontade própria.
E há pessoas que só conseguem ter apêndices
não se permitem viver uma história
só permitem apêndices em sua vida
vivem sob a desculpa que só colhem o que tem de bom nos outros
vivem uma fantasia.
Não somos só bons, tampouco só ruins
ai é onde paira a grande eloquência da vida
tudo faz parte de uma coisa só
essas pessoas vivem uma farsa que chamam de vida.
Juan de Ravague (18 nov 09)
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Saudade
Já sinto falta do teu cheiro, do teu sorriso, do calor do teu corpo, e o sono que paulatinamente abandona meu corpo, dá lugar a um sentimento de dormência necessário para que eu consiga assimilar a dor da tua ausência.
Falta-me a coragem para adentrar ao quarto, outrora lugar de tanta felicidade, onde me tornei o mais completo dos homens, agora um antro da saudade, que arde em meu peito, parecendo devorar-me de dentro para fora.
E esta inquilina indesejada de meu corpo, sentimento por demais contraditório, vil e sublime ao mesmo instante, diz-me que não o abandonará, argumentando que é vizinha permanente do Amor, e que eu teria de expulsar aos dois.
Relutante, acato seu argumento e a aceito como eterna habitante de meu ser.
(2004)
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
O OUTRO
O vazio voltou, persistente, mais forte.
Agora já não é mais UM vazio, tornou-se O vazio.
Consumino tudo ao redor, como um buraco negro.
O vazio me devora por dentro, acabando com tudo que há.
Deixando só a ausência.
Ausência de sentimentos, de sensações, de esperanças.
E depois que ele opera, não há mais voltas,
não há mais como voltar a ser aquele.
Só restou o ser de gelo, o OUTRO.
(04 nov 09)
Agora já não é mais UM vazio, tornou-se O vazio.
Consumino tudo ao redor, como um buraco negro.
O vazio me devora por dentro, acabando com tudo que há.
Deixando só a ausência.
Ausência de sentimentos, de sensações, de esperanças.
E depois que ele opera, não há mais voltas,
não há mais como voltar a ser aquele.
Só restou o ser de gelo, o OUTRO.
(04 nov 09)
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
A TI Ó DÉSPOTA DE MIM!!
"Hoje, eu abaixo a cabeca pra ti,
hoje, eu aceito a tua sobrepujança
hoje, eu admito o teu domínio.
Mas não te acostumes ó vil,
teu domínio é temporário
tem data marcada.
Não esperas mas logo surgirá o levante
aquele adormecido se revelará
e o teu domínio cairá."
(30 out 09)
hoje, eu aceito a tua sobrepujança
hoje, eu admito o teu domínio.
Mas não te acostumes ó vil,
teu domínio é temporário
tem data marcada.
Não esperas mas logo surgirá o levante
aquele adormecido se revelará
e o teu domínio cairá."
(30 out 09)
sábado, 13 de junho de 2009
Desabafo
Acho que às vezes só gostaria de alguém com quem pudesse ser eu mesmo de novo. Retirar todas as máscaras, ser o palhaço, o idiota, o porto seguro... Não me preocupar em ter pudores quando ajo, se estou machucando ou não, se posso falar algo, se aquilo que falo vai machucar ou não, isso deveria ser natural.
Não quero mais me sentir magoando as pessoas, me sentir tendo que me podar nas relações com as pessoas. Porque nossa sociedade é tão artificial? Tão estúpida, hipócrita, superficial.
Reclamam que devemos ser honestos, quando o somos, reclamam que somos diretos demais. A sensação é de que as pessoas pedem para serem enganadas, não estão preparadas para a verdade, gostam de viver na mentira, na enganação, com relações fúteis.
Estou cansado de não mais viver. Sinto-me como se estivesse séquito por viver outra vida. Uma na qual eu seria “alguém”. Talvez seja um clichê, mas também não seria um clichê quando me digo que nós fazemos o que queremos ser? O maior de todos os clichês?
Será que realmente temos esse nível de controle? Acredito realmente que não, mas com certeza nossas vidas são uma soma de experiências, e se continuar assim, só posso concluir que a soma de nada, é NADA.
Tenho que procurar adicionar ao menos alguma coisa, para que quando chegar ao final, essas poucas coisas, possam restar em ao menos ALGO.
Essas fugas que me imponho, essa vida frívola, é uma fuga de que? Do medo que tenho de viver aquilo que realmente gostaria? Se tomar as rédeas da minha vida em minha mão, e no final não tiver valido à pena? Se eu guiá-la para um abismo?
Eu não sou bom com coisas, com planos. Sou bom com pessoas, amigos. Mas porque a aparente habilidade que tenho com pessoas não me permite a parcimônia necessária para administrar meu ímpeto?
Quanto mais me permito tentar ser uma pessoa melhor, observar as pessoas para que consiga a calma no agir, mais vejo o que não gosto nas pessoas, e isso me afasta delas. Acabo me trancando nesse casulo que está minha vida.
06-junho-09 - 10h
Não quero mais me sentir magoando as pessoas, me sentir tendo que me podar nas relações com as pessoas. Porque nossa sociedade é tão artificial? Tão estúpida, hipócrita, superficial.
Reclamam que devemos ser honestos, quando o somos, reclamam que somos diretos demais. A sensação é de que as pessoas pedem para serem enganadas, não estão preparadas para a verdade, gostam de viver na mentira, na enganação, com relações fúteis.
Estou cansado de não mais viver. Sinto-me como se estivesse séquito por viver outra vida. Uma na qual eu seria “alguém”. Talvez seja um clichê, mas também não seria um clichê quando me digo que nós fazemos o que queremos ser? O maior de todos os clichês?
Será que realmente temos esse nível de controle? Acredito realmente que não, mas com certeza nossas vidas são uma soma de experiências, e se continuar assim, só posso concluir que a soma de nada, é NADA.
Tenho que procurar adicionar ao menos alguma coisa, para que quando chegar ao final, essas poucas coisas, possam restar em ao menos ALGO.
Essas fugas que me imponho, essa vida frívola, é uma fuga de que? Do medo que tenho de viver aquilo que realmente gostaria? Se tomar as rédeas da minha vida em minha mão, e no final não tiver valido à pena? Se eu guiá-la para um abismo?
Eu não sou bom com coisas, com planos. Sou bom com pessoas, amigos. Mas porque a aparente habilidade que tenho com pessoas não me permite a parcimônia necessária para administrar meu ímpeto?
Quanto mais me permito tentar ser uma pessoa melhor, observar as pessoas para que consiga a calma no agir, mais vejo o que não gosto nas pessoas, e isso me afasta delas. Acabo me trancando nesse casulo que está minha vida.
06-junho-09 - 10h
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